Arquibancada

'Senti um arrepio ao pisar no gramado do Maracanã lotado', lembra Tobias

NAIEF HADDAD
DE SÃO PAULO

Nascido em Agudos, no interior de São Paulo, José Benedito Tobias contava com passagens bem-sucedidas como goleiro pelo Noroeste, de Bauru (SP), e pelo Guarani, de Campinas (SP), quando chegou ao Corinthians, em janeiro de 1975. Tinha 27 anos quando vestiu o uniforme alvinegro pela primeira vez.

"Coloquei a camisa para assinar o contrato e posar para a foto. Aí bateu aquela pressão, já tinha uma carga de 21 anos nas costas. Sabe o que é tanto tempo para um time como o Corinthians sem ganhar um título?", indaga o ex-jogador, hoje com 67 anos.

Em 1975, houve uma ampla reformulação na equipe, com dispensa de vários jogadores e a contratação de outros tantos, como o centroavante Geraldão, o meia Neca e o próprio Tobias.

No ano seguinte, sob o comando do técnico Duque, o time era mais eficiente, mas estava aquém da qualidade ofensiva do Fluminense.

Para o colunista da Folha Juca Kfouri, na época chefe de reportagem da revista "Placar", o Corinthians tinha bons jogadores, "como Zé Maria e Vladimir, mas os craques, Carlos Alberto Torres e Rivellino, estavam do outro lado, além de Edinho, Carlos Alberto Pintinho...".

"O Fluminense era uma equipe fantástica. Nosso time era inferior, todos sabiam disso", lembra-se Tobias.

A torcedora Marlene Hermann, com 20 anos na época, confiava no time, mas não era capaz de domar os nervos totalmente. "Era uma mistura de sentimentos. Eu não poderia ficar nervosa, pensava no bebê que eu estava esperando. Mas eu estava. Na verdade, não sei descrever o que sentia."

A torcida se aproximava de um estado de êxtase, e os jogadores não podiam ficar ilesos àquela atmosfera.

"Senti um arrepio ao pisar no gramado. Não conseguia acreditar no que via: um Maracanã completamente lotado, todas aquelas bandeiras. Demorou para cair a ficha", recorda-se Tobias.